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‘Até me assusto por todos aqui usarem o Waze’, diz criador do app

Uri Levine criou o Waze e o Moovit / TechCrunch/Creative Commons
Uri Levine fundou o Waze e o Moovit / TechCrunch/Creative Commons

Quando chegou ao aeroporto de Guarulhos, na semana passada, o israelense Uri Levine respirou fundo. Para ir a São Paulo, era necessário enfrentar boas horas do que ele mais abomina: o tráfego intenso de uma metrópole.

Ao entrar no carro e olhar para o painel do veículo, Levine soltou uma risada. A poucos centímetros dele o celular do motorista estava conectado ao Waze, o primeiro aplicativo que criou e que fez grande sucesso no País.

“Às vezes até eu mesmo me assusto pelo fato de todos aqui usarem o Waze”, brinca.

Durante passagem pelo País, o criador do Waze fala com exclusividade ao inova.jor sobre a colaboração dos brasileiros e as suas novas apostas para o mercado local.

“Deem tempo ao Moovit e ele será mais popular que o Waze aqui no Brasil”, diz ao se referir ao aplicativo que oferece informações sobre transporte coletivo, criado por ele e que já possui 10 milhões de usuários no País.

Ele participou, na semana passada, do anúncio da nova marca da TIM Brasil.

A seguir trechos da entrevista com Uri Levine.

Como surgiu a ideia de criar o Waze?

Surgiu inicialmente com Ehud Shabtai, diretor de tecnologia e cofundador do Waze. Ele percebeu que era muito caro criar mapas para aplicativos gratuitos e que o mapeamento da cidade poderia ser feito por vários usuários engajados. Então decidimos nos concentrar no tráfego, porque percebemos que o motorista que vai à frente sabe de algo que é muito valioso para quem vem no carro atrás. E eu acredito também que o fato de eu odiar o tráfego acrescentou muito ao Waze (risos).

Antes de ser vendido, o Waze já possuía muitos usuários brasileiros. Como o aplicativo se tornou tão famoso em um lugar tão distante de Israel?

O Waze e o Moovit são muito bem sucedidos em muitos lugares por causa da necessidade de cada país e não muita tem relação com o lugar de origem do aplicativo. Israel é um excelente lugar para startups. Lá o DNA, o ecossistema, a cultura e o financiamento são muito favoráveis, e, além disso, o fato de ser um país pequeno nos faz pensar sempre que um dia devemos ser globais. 

Quando se popularizou no Brasil, o Waze foi criticado por parte da sociedade por, supostamente, ajudar criminosos ao assinalar a presença de policiais. O que o senhor acha sobre isso?

Waze se concentra em ajudar os motoristas. Se os críticos estivessem certos, então as pessoas também não deveriam indicar nem se beneficiar das indicações de radares de velocidade, não é?

O número de usuários do Moovit tem crescido no Brasil. Por que o senhor acha que isso tem acontecido?

Acredito que são dois fatores. O primeiro é que as pessoas precisam do Moovit para ter informações sobre o transporte público que são muito difíceis de serem encontradas sem o aplicativo. O segundo é que o Moovit ajuda as pessoas a economizarem muito tempo em viagens com o transporte público.

Quais os principais desafios para transformar o Moovit num sucesso no Brasil como o Waze?

Tempo. O Moovit é muito mais jovem do que Waze. O Moovit tem quatro anos e conta com mais de 10 milhões de usuários no Brasil, quando o Waze tinha quatro anos de idade tinha muito menos usuários. Com tempo suficiente, o Moovit será bem mais sucedido que Waze no Brasil.

Quais elementos são necessários para o sucesso de uma plataforma de crowdsourcing?

Crowdsourcing é uma forma muito poderosa de coletar ou espalhar entre muitas pessoas informações que não estão disponíveis de outra forma. Em geral, o povo brasileiro é muito social o que torna bastante fácil construir plataformas de crowdsourcing aqui. Mas para ter sucesso é preciso mostrar para os brasileiros que esse serviço trará a solução para um problema (geralmente falta de informação ou a falta de transparência) e que esse problema é importante o suficiente para que eles se importem em ajudar.

Quais são os desafios de ganhar dinheiro com aplicativos como o Moovit e o Waze?

É necessário ter uma massa crítica de usuários (capaz de criar dados suficientes) antes de começar a geração de receitas, com, por exemplo, venda de dados ou anúncio no topo da aplicação. Mas isso não é um problema, é uma característica do modelo.

Quais são as próximas novidades para os brasileiros?

Eu estou envolvido em outra startup que começa a dar os primeiros passos no mercado brasileiro: o Solomoto que significa ferramenta social, local e móvel (SOcial, LOcal, MObile, TOol, em inglês).  A startup ajuda pequenas empresas a estabelecer sua presença na web, rede social e móvel de forma muito rápida  aumentando acesso e faturamento muito rapidamente.

Qual é a sua opinião sobre o mercado brasileiro?

Gosto muito das pessoas e do mercado do Brasil. Tenho trazido cada vez mais startups minhas para o Brasil. E, assim como o Waze, Moovit e Solomoto, os brasileiros podem usar o Roomer (aplicativo de compra e venda de reservas de hotel que não podem ser reembolsadas) e o FairFly (aplicativo que permite remarcar voos a preço menor, no caso de queda da tarifa depois da compra do bilhete) no País mesmo ainda não tendo tradução para o português.

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