inova.jor

inova.jor

Boticário vai simular órgãos humanos num chip

No ano passado, o Grupo Boticário anunciou a pele 3D, reconstituída em laboratório para testes / Guilherme Pupo/Divulgação
No ano passado, o Grupo Boticário anunciou a pele 3D, reconstituída em laboratório para testes / Guilherme Pupo/Divulgação

O Grupo Boticário não faz testes com animais desde 2000. No ano passado, foi pioneiro no Brasil ao desenvolver pele humana reconstituída em laboratório.

O novo projeto de pesquisa do Boticário na área de testes tem o objetivo de simular órgãos humanos num chip. “Trabalhamos com métodos alternativos há muito tempo”, afirma Márcio Lorencini, gerente de pesquisa biomolecular do Grupo Boticário.

A chamada pele 3D, reconstituída em laboratório, não permite fazer todos os tipos de testes necessários. Com o sistema organs on a chip, o Boticário pretende simular a comunicação entre a pele e o sistema imune do corpo humano, para descobrir, por exemplo, reações alérgicas causadas por cosméticos a partir da pele.

O projeto é uma parceria entre o Boticário e o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), ligado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Rede Nacional de Métodos Alternativos ao uso de Animais (Renama).

A base tecnológica do projeto vem da empresa alemã TissUse. Os primeiros testes devem começar ainda este ano. A expectativa é que, no ano que vem, o grupo já coloque no mercado produtos testados com a nova tecnologia.

“A tecnologia de organs on a chip é bem nova ainda, mesmo fora do Brasil”, afirma Lorencini. “Seu uso em simulação de pele para testes de cosméticos não existe em lugar nenhum.”

A proposta inicial de investimento é de R$ 1,5 milhão, sendo 30% desembolsados pela empresa. O Boticário tem 10 pesquisadores envolvidos no projeto, e o LNBio outros 10.

Pele reconstituída

A pele 3D foi criada no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do grupo, em São José dos Pinhais (PR). Ela é reconstituída a partir de células provenientes de tecido descartado de cirurgia plástica.

“No Brasil, ainda temos dificuldade de usar pele 3D, porque a importação não é muito fácil”, afirma Lorencini. “O processo pode demorar semanas e tornar o material inviável.”

O uso do tecido precisa do consentimento do doador e da aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da instituição. O Grupo Boticário controla as marcas O Boticário, Eudora, Quem disse, Berenice? e The Beauty Box.

O Brasil é destaque mundial no registro de patentes relacionadas a cosméticos.

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

Brasileiros têm concentrado comunicação em aplicativos como o WhatsApp

O que os bots têm a ver com a transformação digital

Os bots são uma das apostas do mercado brasileiro para a transformação digital das empresas. Esses robôs de bate-papo substituem atendentes humanos em operações repetitivas de acesso à informação. O tema foi debatido durante o Bots Experience Day, hoje (20/03) em São Paulo. Os bots tornaram-se famosos no ano passado com a divulgação[…]

Leia mais »
Baixos custos e pouco tempo de curso atraem estudantes para startups de e-learning / Chris Devers / Creative Commons

Startups de educação à distância crescem na crise

O mercado de educação à distância está em ascensão. Com custos mais baixos e aulas interativas, o modelo tem atraído pessoas que querem se especializar, mas que contam com pouco tempo e dinheiro. As startups voltadas para educação são vistas como promissoras. Surgida em 2011, a Descola quer preencher lacunas pouco exploradas pelas[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami