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Para que vai servir o novo acelerador de partículas brasileiro

O acelerador de partículas Sirius terá aplicações em setores como saúde, energia e alimentação / Divulgação
O acelerador de partículas Sirius terá aplicações em setores como saúde, energia e alimentação / Divulgação

O maior projeto científico brasileiro em andamento é o Sirius, acelerador de partículas que está sendo construído pelo Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), em Campinas (SP). O LNLS faz parte do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Com orçamento total de R$ 1,8 bilhão, o Sirius deve ser inaugurado em 2019. Trata-se de um acelerador de elétrons, que produz a chamada luz síncroton, radiação eletromagnética de amplo espectro que vai do infravermelho a raios X de alto brilho.

A luz síncroton pode ser usada em experimentos de diversas áreas, como engenharia de materiais, saúde, energia e meio ambiente.

“O Sirius é um acelerador de partículas de quarta geração, com tecnologia de estado da arte mundial”, afirma José Roque, diretor do LNLS.

Aplicação

Num prédio de 68 mil metros quadrados, feixes de elétrons vão circular 24 hora por dias em órbitas estáveis num anel de 518 metros de circunferência, controlados por mais de 1.350 magnetos.

A luz síncroton será gerada quando esses feixes de elétrons mudarem sua trajetória. Ela é capaz de penetrar em materiais espessos, como concreto e rochas, para estudar, por exemplo, o escoamento de água, óleo e gás e facilitar a exploração de campos de petróleo.

Será possível usá-la também em tomografias por raios X com precisão de nanômetros, com aplicações em áreas como saúde, agricultura e metalurgia.

“Todos os países desenvolvidos têm pelo menos um acelerador de partículas”, afirma Roque. “O Brasil terá o mais sofisticado, o que permitirá atrair os melhores cérebros.”

O maior acelerador de partículas do mundo, chamado Grande Colisor de Hádrons, está instalado na Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em inglês), em Genebra.

Diferentemente do Sirius, ele gera feixes de prótons, sendo usado principalmente para pesquisas de partículas subatômicas.

Entre os fornecedores do Sirius está a Siemens, responsável pelo sistema de automação industrial da fase de prototipação das linhas de luz do acelerador, além de treinamento aos pesquisadores.

“O Sirius será uma grande referência para a pesquisa de materiais”, afirma Pablo Roberto Fava, diretor de Automação de Sistemas da Siemens.

O LNLS já tem um acelerador de partículas de segunda geração, chamado UVX, em funcionamento desde 1997. Além da academia, empresas como Vale, Braskem, Oxiteno e Petrobras têm projetos de pesquisa que utilizam o UVX.

 

 

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