inova.jor

inova.jor

‘Regras do setor são incompatíveis com o mundo digital’

Evento da TelComp discute perspectivas para as telecomunicações em 2017 / Michael Coghlan/Creative Commons
Evento da TelComp discute perspectivas para as telecomunicações em 2017 / Michael Coghlan/Creative Commons

Este ano não foi fácil para as telecomunicações, diante das incertezas geradas pela necessidade de mudança na regulação e pelos cenários macroeconômico e político.

No começo do próximo mês, a Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp) realiza um evento para discutir o cenário de mudanças para 2017.

As inscrições para o IX Seminário TelComp 2016, marcado para 8 de novembro, em São Paulo, podem ser feitas pelo site.

João Moura, presidente executivo da associação, fala, na entrevista a seguir, sobre as perspectivas do setor para os próximos meses.

Deve haver uma retomada da economia e, consequentemente, dos investimentos em 2017?

As grandes operadoras reduziram investimentos em 2016 e devem manter o mesmo nível, mais baixo, em 2017. É uma postura cautelosa em função do cenário macro, das indefinições no âmbito regulatório e das expectativas de incentivos públicos para investir. No lado das operadoras competitivas, o ritmo de investimentos continua forte, impulsionado pela demanda e por oportunidades de mercado. Apesar da economia fraca, o mercado corporativo, foco prioritário das operadoras competitivas, continua demandando mais e melhores recursos de conectividade e de tecnologias digitais.

Qual tema deve receber mais atenção das empresas do setor no próximo ano?

As operadoras competitivas esperam melhores condições para investimento em novas redes. Isso inclui a aplicação prática da Lei Federal de Antenas, que trata também de direito de passagem em rodovias, mas é ignorada inclusive por órgãos federais; de superação de barreiras impostas por legislações municipais restritivas para implantação de redes; e da efetiva regulamentação de uso de postes e de compartilhamento de dutos. São elementos sem os quais não é possível realizar investimentos no ritmo e na extensão que o mercado demanda.

No âmbito nacional, as discussões sobre a quinta geração das comunicações móveis (5G) e sobre a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) devem tomar fôlego nos próximos meses?

Embora o 5G e as aplicações mais sofisticadas de internet das coisas ainda exigirão dois ou três anos para se firmar no mercado, a preparação das redes para suportá-las tem de se acelerar agora. A cobertura de serviços móveis exige cada vez mais infraestrutura fixa em fibra óptica, robustas e de alta qualidade. As aplicações de IoT exigem alta performance a mais confiabilidade das redes ópticas. Tudo isso requer esforço e investimentos que tomam tempo. Não há como improvisar.

João Moura, da TelComp / Divulgação
João Moura, da TelComp / Divulgação

O mundo digital tem transformado os modelos de negócio de vários setores. Como está sendo o impacto nas operadoras?

As empresas de telecomunicações já estão sendo fortemente impactadas pela nova realidade do mundo digital. Originalmente, as teles tinham controle total sobre suas próprias redes e os serviços oferecidos. A convergência digital criou uma nova realidade na qual as empresas de internet podem oferecer serviços de comunicação eletrônica através de aplicativos que o cliente acessa diretamente via internet sem a interferência das teles.

Como o senhor avalia este novo cenário do mundo digital para o setor?

A nova dinâmica do mundo digital não é uma alternativa nem uma possibilidade: é um imperativo para o desenvolvimento econômico e social. Isso exige esforço coordenado da sociedade para embarcar nesta revolução e realmente se beneficiar de todo o potencial que as novas tecnologias oferecem. Só assim criaremos novas oportunidades de desenvolvimento econômico, vamos melhorar a qualidade de vida das pessoas e faremos contribuições decisivas para a sustentabilidade do planeta.

As receitas tradicionais das operadoras provenientes de serviços de voz, mensagem e TV por assinatura estão em constante queda. O que as empresas precisam fazer para driblar essas dificuldades?

A única alternativa às teles é ganhar produtividade e modernizar muito as suas redes para oferecer mais e melhores serviços de conectividade, e assim continuarem rentáveis, além de criar suas próprias ofertas de serviços digitais em áreas em que detenham competência. Essa nova realidade impõe mudanças substanciais também na regulamentação setorial e no modelo tributário, que hoje estão absolutamente obsoletos e incompatíveis com a realidade do mundo digital.

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

A varejista de brinquedos Toys 'R' Us pediu falência nos Estados Unidos e Canadá / Mike Kalasnik/Creative Commons

O que fazer para não se tornar a próxima Toys ‘R’ Us

A Toys ‘R’ Us é uma gigante norte-americana do varejo de brinquedos, com cerca de 1,6 mil lojas e 64 mil funcionários. No ano passado, faturou US$ 11,5 bilhões. Apesar do tamanho impressionante, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial hoje (19/9) para as suas operações dos Estados[…]

Leia mais »
O Crowd Vale da Eletrônica fica no Inatel, em Santa Rita do Sapucaí / Divulgação

Crowd Vale da Eletrônica lança segunda chamada de startups

O Crowd Vale da Eletrônica abriu as inscrições de seu segundo processo seletivo para startups. O prazo termina em 9 de junho. Sediada em Santa Rita do Sapucaí (MG), a iniciativa é uma parceria entre Telefónica Open Future, Inatel e Ericsson. Pré-aceleração Serão selecionadas até 20 startups para um período de[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami