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Análise de dados pode ajudar a salvar vidas

Cláudio Ferrari, da Sboc, participou de evento sobre gestão da informação aplicada à saúde / Renato Cruz/inova.jor
Cláudio Ferrari, da Sboc, participou de evento sobre gestão da informação aplicada à saúde / Renato Cruz/inova.jor

A saúde brasileira ainda precisa passar por uma revolução de informação. Segundo estudo da McKinsey, a adoção de tecnologias de análise de dados e big data poderia trazer um ganho de eficiência de 35% ao setor.

Cláudio Ferrari, secretário de Comunicação Social da Sociedade brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) participou hoje (1/11) do evento Fóruns Estadão Gestão da Informação, em São Paulo, realizado pelo Grupo Estado, com apoio da Roche.

A seguir, trechos de uma entrevista em que o oncologista fala sobre a situação das informações médicas no País.

Como está hoje a gestão da informação na área de saúde no Brasil?

Está muito baseada em iniciativas individuais, de instituições com foco em melhorar seus dados. As instituições entendem que precisam melhorar seu modelo de coleta e gestão de dados para trazer benefício para seus pacientes. A maior da discussão ainda acontece dentro de instituições estanques.

Já existe tecnologia disponível para isso?

As soluções de mercado não preenchem essa necessidade. Não existe nenhum fornecedor de tecnologia que ofereça algum serviço que resolva tudo. As duas instituições em que eu estou (Hospital Sírio-Libanês e Icesp – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), apesar de terem prontuários de última geração em funcionamento, ainda precisam de desenvolvimentos próprios, ou buscar parceiros para fazer isso.

Que benefícios a gestão da informação pode trazer para o paciente?

No curto prazo, o médico não precisaria ler o prontuário. O prontuário deveria dizer o que o médico quer saber. O exemplo do mercado financeiro é óbvio. Se o gerente quer saber se deve ou não emprestar dinheiro a alguém, ou qual é o juro do empréstimo, ele aperta um botão e a resposta vem. Por que não pode ser igual no sistema de saúde? Porque o sistema não foi concebido para ajudar no atendimento.

O que poderia haver de redução de custos?

Isso é imediato. Quando o médico pede um exame, o sistema não devolve a informação: este exame foi pedido há dois dias. Os sistemas não foram criados dessa forma. De fato, isso vai aparecer antes, porque money talks. Deve surgir uma solução contra o desperdício provavelmente antes de uma solução para cuidar melhor. Isso é um viés de mercado que funciona assim, de quem paga a conta. Mas, sem dúvida, os sistemas de informação se pagam rapidamente.

O ganho de eficiência depende somente de sistemas?

Acho o número de 35% uma estimativa conservadora do que se joga fora de exames. O verdadeiro salto se dá com a formação diferenciada do profissional também. Na minha apresentação, falei do “internograma”, que é um conjunto de exames que se pede indiscriminadamente para quem entra num hospital. Isso é inadmissível no século 21.

Quais são os impactos da gestão de informação para além da melhora no atendimento do paciente individual?

Os benefícios da nova tecnologia vão se estendendo. Primeiro para cada paciente que está sendo tratado. No momento em que os dados estão estruturados, é possível comparar perfis de pacientes, opções de tratamento adotadas e resultados, para tratar melhor o conjunto de pacientes ainda dentro da própria instituição. O passo seguinte é juntar os dados e, daqui uns 10 anos, isso vai gerar informações muito relevantes do que faz ficar doente ou não. Depender da pesquisa clínica é muito pouco. A pesquisa é muito cara. O dado de cada paciente deve ser tratado como um dado de pesquisa clínica. O paciente vai ser mais bem cuidado, o conjunto de pacientes de cada instituição vai se beneficiar e, por último, a ciência evolui.

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