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Como diferenciar as notícias falsas das verdadeiras

Notícias falsas: Mark Zuckerberg teve de defender publicamente o Facebook depois da vitória de Trump / JD Lasica/Creative Commons
Mark Zuckerberg teve de defender publicamente o Facebook depois da vitória de Trump / JD Lasica/Creative Commons

A vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos trouxe à tona uma discussão sobre notícias falsas na internet.

Mark Zuckerberg teve de defender o Facebook da acusação de que a disseminação de mentiras na rede social foi determinante para o resultado das urnas.

Segundo o presidente do Facebook, mais de 99% das notícias veiculadas na rede social são verdadeiras. Mesmo se o percentual for esse mesmo, 1% de notícias falsas é bastante coisa.

Mas a proliferação de informações falsas não se limita ao Facebook.

Ontem (14/11), durante algumas horas, o resultado principal da busca por “final elections results” (resultados finais da eleição) no Google apontava para o texto que dizia que Trump havia ganhado as eleições americanas por 700 mil votos, de um site chamado 70 News.

Na verdade, apesar de ter perdido, Hillary Clinton recebeu 700 mil votos a mais do que Trump, e a contagem de votos ainda não terminou.

Regras para anúncios

A discussão fez com que tanto o Google quanto o Facebook mudassem suas regras para anunciantes, banindo sites que divulgam notícias falsas.

No ano passado, cinco empresas de tecnologia (Google, Facebook, Yahoo, Microsoft e Twitter) ficaram com 65% dos US$ 60 bilhões destinados à publicidade online nos Estados Unidos.

Trata-se de uma medida importante, mas não suficiente. Apesar de não terem como atividade principal a produção de conteúdo, empresas como o Google e o Facebook são empresas de mídia.

Elas vivem de vender audiência para anunciantes e têm o compromisso de entregar conteúdo de qualidade para essa audiência.

Banir notícias falsas dos conteúdos patrocinados é um bom primeiro passo, mas também é preciso fazer alguma coisa quanto ao conteúdo orgânico, que aparece no resultado das buscas do Google ou que é compartilhado pelos amigos do Facebook.

Sessenta e dois por cento dos adultos nos EUA consultam as redes sociais para acompanhar o noticiário.

O Facebook tem ferramentas para que cada um selecione as fontes de notícias que aparecem no seu feed, com opções como “ver primeiro” e “ocultar tudo”.

O problema é que boa parte das pessoas não sabe que essas opções existem ou não se importa com elas.

Deixar a seleção inteiramente por conta dos usuários é o mesmo que um supermercado expor comida com data de validade vencida na prateleira e colocar nas costas do consumidor a responsabilidade de verificar se cada item é bom ou não na hora da compra.

Peneira do algoritmo

Em sua defesa do Facebook, Zuckerberg apontou um ponto importante a respeito da dificuldade de deixar o usuário marcar se a notícia é falsa ou verdadeira:

    “Identificar a ‘verdade’ é complicado. Enquanto alguns golpes podem ser completamente desacreditados, um volume maior de conteúdo, inclusive aquele proveniente de fontes conhecidas, muitas vezes traz a ideia básica correta, mas alguns detalhes estão errados ou são omitidos. Um volume ainda maior de textos expressam uma opinião sobre a qual muitos discordam e marcariam como falsa, apesar de os fatos serem verdadeiros.”

A seleção orgânica de notícias no Facebook depende muito do que o círculo de amizades de cada pessoa compartilha, depois de esse conteúdo passar pela peneira do algoritmo.

A grande questão é que o algoritmo, muitas vezes apontado como um ente fora das relações humanas pelas empresas de tecnologia, tem dono.

Mesmo quando as regras seguidas por ele são definidas por aprendizagem de máquina, o dono do algoritmo tem a responsabilidade de ajustá-lo.

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