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Burt Rutan: ‘Fazer pesquisa é buscar o impossível’

Burt Rutan é o criador da SpaceShipOne, primeira nave privada a atingir o espaço / Renato Cruz/inova.jor
Burt Rutan é o criador da SpaceShipOne, primeira nave privada a atingir o espaço / Renato Cruz/inova.jor

LAS VEGAS

O empreendedor Burt Rutan deu início à corrida de empresas privadas ao espaço. Em 2004, a SpaceShipOne, criada por ele, foi a primeira nave desenvolvida e operada por uma empresa privada a atingir o espaço.

Atualmente aposentado, aos 73 anos, Rutan é uma lenda do mercado aeroespacial. “Sou um empreendedor desde 1972”, afirmou ontem (16/11), no evento CA World 2016, em Las Vegas. Durante sua carreira, Rutan projetou mais de 40 aviões.

A empresa que desenvolveu a SpaceShipOne tinha como sócio Paul Allen, cofundador da Microsoft. Rutan também projetou espaçonaves para a Virgin Galactic, empresa do bilionário britânico Richard Branson.

Rutan contou que seu primeiro trabalho, ainda na faculdade, foi fazer testes de voo com aviões da Força Aérea, numa época em que os Estados Unidos estavam na Guerra do Vietnã.

Ele destacou a rapidez com que se desenvolveu o programa espacial americano dos anos 1960 até o começo dos 1970: “Vi Alan Shepard fazer seu primeiro voo quando estava no último ano do ensino médio. Dez anos mais tarde, ele estava lançando bolas de golfe na Lua”.

O astronauta Alan Shepard foi o primeiro a pilotar uma nave do programa Mercury, em 1961. Esse primeiro voo chegou ao espaço, mas não conseguiu entrar em órbita.

Dez anos depois, Shepard comandou a missão da Apolo 14, tornando-se a quinta pessoa a chegar à Lua. “A Nasa (agência espacial americana) fez um grande trabalho e depois acabou ficando muito avessa ao risco”, disse Rutan.

“A Nasa não faz pesquisa real”, continuou o empreendedor. “Acredito que quem faz pesquisa precisa ter um objetivo que pelo menos metade das pessoas diz ser impossível. Se pelo menos metade das pessoas considera possível, o que está sendo feito é desenvolvimento.”

Burt Rutan participou de um painel com o astronauta Scott Kelly, a engenheira aeroespacial canadense Natalie Panek e Mike Gregoire, presidente executivo da CA Technologies.

Rumo a Marte

A SpaceShipOne ganhou o prêmio Ansari X em 2004, ao conseguir completar dois voos em duas semanas, carregando peso equivalente a três pessoas e reutilizando pelo menos 80% dos equipamentos.

Atualmente, o grande desafio é chegar a Marte. A SpaceX, fundada por Elon Musk, da Tesla, planeja levar pessoas ao planeta em meados da próxima década. A Boeing também entrou nessa corrida.

Scott Kelly foi o primeiro astronauta norte-americano a passar um ano no espaço, a bordo da Estação Espacial Internacional.

Um dos motivos foi testar a reação do corpo humano em preparação a uma possível viagem a Marte, que duraria quase 300 dias.

“A gravidade é um saco”, afirmou Kelly. “Vivi no espaço por muito tempo. Foi mais fácil me adaptar para viver no espaço do que voltar à Terra.”

Kelly contou que foi difícil passar um ano num local do qual não se pode sair, com contato humano limitado e poucas escolhas. “Você vai dormir e está no trabalho. Acorda e está no trabalho”, disse.

Atualmente aposentado, o astronauta retornou de sua missão de um ano no espaço em março. Ele tem um irmão gêmeo idêntico, que também é astronauta.

Kelly contou que nunca foi um bom estudante, e decidiu se tornar astronauta ao ler, na faculdade, Os Eleitos, livro escrito por Tom Wolfe que conta a história do programa espacial dos EUA.

“Se estivesse na escola hoje, provavelmente seria um garoto diagnosticado com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade”, afirmou Kelly. “Não conseguia prestar nenhuma atenção. Os Eleitos foi um dos primeiros livros que li na vida.”

Estudos genéticos

O astronauta negou que tenha sido escolhido para a missão de um ano por ter um irmão gêmeo idêntico: “Não foi o caso. Perguntaram se fosse pedido para fazer estudos genéticos entre meu irmão e eu, como eu responderia a essa questão. O cara falou: não planejamos nada disso, mas, se estivéssemos, você estaria interessado?”

Os resultados dos estudos ainda não foram publicados. “Existem essas coisas chamadas telômeros, que mostram se sua idade física corresponde ao tempo em que você nasceu. A suposição aqui é que, por eu ter passado tanto tempo no espaço, exposto à radiação, meus telômeros são mais curtos que os do meu irmão”, explicou Kelly.

“A suposição é que, quando chegarmos aos 60 anos, parecerei que tenho 70 anos e ele 50, por causa do tempo que passei no espaço. Mas eu acho que provavelmente será porque meu irmão vai colocar botox”, brincou.

Durante o ano que passou no espaço, foram estudados os efeitos da viagem em seus ossos e músculos. O astronauta disse que uma vantagem de ficar tanto tempo em órbita é perder todos os calos dos pés.

“Depois de uma missão, fui a um local de massagem”, contou Kelly. “A massagista disse: ‘Você tem os pés mais macios que eu já vi’. Minha resposta foi somente: ‘Obrigado, sou muito orgulhoso deles’.”

  • O jornalista viajou a convite da CA Technologies

 

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