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O que explica o sucesso das fintechs no Brasil

As fintechs brasileiras receberam investimento de R$ 450 milhões no ano passado / Divulgação
As fintechs brasileiras receberam investimento de R$ 450 milhões no ano passado / Divulgação

O termo fintech se tornou comum, sobretudo para quem circula no mundo da tecnologia. Ele define o segmento das startups que criam inovações na área de serviços financeiros.

E, justamente, por ter como base o uso da tecnologia, têm desafiado instituições financeiras tradicionais. Há inclusive quem diga que o fim dos bancos está próximo.

Não acho que seja esse o caso, mas um fato é realidade: as fintechs vieram para revolucionar o setor, e vieram para ficar. É um processo que não tem como voltar atrás.

Se, por um lado, temos instituições financeiras que insistem em processos engessados e burocráticos, numa linha que segue quase o retrocesso, por outro, temos o advento da era digital, da mobilidade, o acesso mais barato a novas tecnologias, aliadas ao modelo disruptivo de oferecer produtos e serviços.

Esse conjunto de fatores tem funcionado como mola propulsora para o advento das fintechs. Chegou a hora das pessoas e empresas mudarem a forma como lidam com questões financeiras.

Atendimento humanizado

Mauricio Valim, da Kiik / Divulgação
Mauricio Valim, da Kiik / Divulgação

Um dos grandes diferenciais competitivos das fintechs é a maneira como se relacionam com os usuários.

Enquanto os bancos e outras grandes instituições financeiras concentram seus serviços para atender a indústria, com o objetivo de gerar receita imediata, as fintechs buscam oferecer atendimento humanizado para seus usuários, o que inclui desenhar serviços centrados em pessoas, em suas necessidades específicas, cujo sucesso é alcançado por meio de muita pesquisa, empatia, cocriação e metodologia.

Outra vantagem das fintechs é que são empresas muito enxutas, totalmente focadas no modelo de negócios, construídas sobre uma base tecnológica consistente, com plataformas modernas e integradas aos serviços de nuvem da nova geração.

Tudo isso reduz muito seu custo de operação e tempo para tomada de decisões. Costumamos dizer que elas fazem muito com pouco.

Mercado em expansão

É visível o crescimento desse mercado no Brasil, principalmente nos dois últimos anos.

A terceira edição do Radar Fintechlab, elaborada no ano passado, apontou 130 iniciativas de fintechs mapeadas no país nas categorias:

  • pagamentos,
  • gerenciamento financeiro,
  • empréstimos e negociação de dívidas,
  • investimento,
  • funding,
  • seguros,
  • eficiência financeira,
  • segurança,
  • conectividade e
  • bitcoin/blockchain.

De acordo com o levantamento, quase 70% das iniciativas monitoradas já estão em fase operacional, ou seja, já possuem clientes pagantes e já passaram pelas fases de ideação e de validação dos seus modelos de negócios.

Em 2015, de cada 10 fintechs, três tiveram faturamento superior a R$ 1 milhão. E uma em cada cinco já tinha mais de 20 funcionários contratados.

Outro dado interessante é que 31% das fintechs são direcionadas exclusivamente para o consumidor final, 27% para empresas e 42% atendem ambos os públicos.

Cerca  de 30% das fintechs já estão planejando expandir para o mercado internacional.

Sucesso no Brasil

Os brasileiros se mostram bem receptivos às fintechs, talvez até por uma carência deixada pelas instituições financeiras tradicionais.

Dados da Techfoliance, empresa global de notícias e análises de fintech, apontam que mais de 55 milhões de adultos no Brasil ainda não têm conta bancária, algo em torno de 40% da população.

Em contrapartida, 74% dos clientes de bancos no país adotaram serviços fintech. Um case de sucesso por aqui, embora a empresa não revele o número de clientes, é o Nubank, que recebeu quase US$ 180 milhões desde o seu lançamento em 2013, e prova que a fintech caiu no gosto do povo.

Ainda a favor das fintechs, está a densidade do telefone móvel em todo o país, hoje superior a 115%.

Para finalizar, parece que a palavra crise passou bem longe das fintechs.

Em 2015, o investimento no setor foi de aproximadamente R$ 200 milhões, saltando para R$ 450 milhões em 2016, números muito bons para um ecossistema empreendedor que está em processo de amadurecimento, mas que promete ano a ano ocupar posições cada vez mais relevantes, tanto em termos de faturamento, quanto na conquista de clientes.

  • Mauricio Valim é presidente da KiiK

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