inova.jor

inova.jor

O avanço tecnológico destrói vidas? Muita gente acha que sim

Avanço: Pesquisa mostra que 69% das pessoas não imaginam como viver sem internet / ajari/Creative Commons
Pesquisa mostra que 69% das pessoas não imaginam como viver sem internet / ajari/Creative Commons

Hendrik van Loon é um escritor que anda meio esquecido. Seu livro História das invenções: o homem, fazedor de milagres foi publicado em 1934 nos Estados Unidos, e saiu por aqui na década seguinte, pela Editora Brasiliense.

O historiador holandês expôs nesse livro uma ideia poderosa, que foi adotada mais tarde por Marshall McLuhan: a de que as tecnologias são extensões do corpo humano.

Ele escreveu:

    Todas as invenções já idealizadas têm por objetivo principal auxiliar o homem na sua louvável luta de passar pela vida com o máximo de prazer em troca do mínimo de esforço. Algumas delas, porém, são meras multiplicações (extensões, intensificações ou aumentos) de certos atributos físicos, tais como “falar” , “andar”, “atirar” , “ouvir”  ou “ver” , enquanto que outras são o resultado do desejo do homem de poupar dignamente suas faculdades físicas e mentais.

Killer app

Uma pesquisa recente da Ipsos, que mediu tendências mundiais, verificou que a maioria das pessoas não tem mais uma visão tão benigna da tecnologia.

Metade dos pesquisados temem que o avanço tecnológico esteja destruindo suas vidas. No Brasil, esse percentual é maior ainda, alcançando 62%.

A percepção negativa dos brasileiros é maior também do que a média dos mercados emergentes, de 58%. A pesquisa ouviu 18 mil pessoas em 23 países entre setembro e outubro do ano passado.

O maior aumento da percepção negativa sobre a tecnologia foi entre a geração Z, que nasceu entre meados da década de 1990 e 2010.

Em 2014, somente 37% da geração Z achavam que o progresso tecnológico destruía vidas. No estudo deste ano, esse número passou para 50%.

Dependência

A visão negativa sobre o avanço tecnológico ganha espaço ao mesmo tempo em que as pessoas se dão conta de como dependem completamente da tecnologia.

Na mesma pesquisa da Ipsos, 69% dos entrevistados responderam que não imaginam como viver sem internet. Mais uma vez, o Brasil está acima da média, com 73%.

O reconhecimento dessa dependência, acompanhado da ideia de que o avanço tecnológico mata, pode significar que, ao contrário do que propôs Van Loon no século passado, nossos corpos acabaram se tornando extensões de nossas invenções.

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

'Sandy Wexler' é o terceiro filme exclusivo para o Netflix feito por Adam Sandler / Reprodução

Por que a Netflix decidiu fazer oito filmes com Adam Sandler

O que é bom gosto em cinema? Confesso que gosto do Adam Sandler. Acho Embriagado de Amor, em que ele é o protagonista, o melhor filme já feito pelo diretor Paul Thomas Anderson. Melhor que Sangue Negro e melhor que Magnólia. Mas eu não consegui ver The Ridiculous 6, o primeiro filme[…]

Leia mais »
Peter Thiel sofreu pressão da comunidade do Vale do Silício por apoiar Trump / JD Lasica/Creative Commons

Peter Thiel, o bilionário da tecnologia que apoiou Trump

Há quatro anos, assisti a uma palestra de Peter Thiel, investidor do Vale do Silício e cofundador do PayPal. Durante evento Fortune Brainstorm Tech 2012, em Aspen, ele criticou o custo do ensino superior nos Estados Unidos. Primeiro investidor externo do Facebook, Thiel criou uma bolsa para incentivar jovens empreendedores a abandonarem[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami