inova.jor

inova.jor

‘As escolas formam estudantes para as carreiras erradas’

'Os estudantes estão desestimulados', afirma Eve Psalti, da Microsoft / Divulgação
‘Os estudantes estão desestimulados’, afirma Eve Psalti, da Microsoft / Divulgação

A tecnologia é uma ferramenta importante para recuperar o interesse dos estudantes e atualizar a escola para que ela volte a cumprir o seu papel. Mas somente tecnologia não basta.

Nascida na Grécia, Eve Psalti, diretora global de programas educacionais da Microsoft, participou na semana passada do evento Bett Educar, em São Paulo, e conversou com o inova.jor sobre o mercado de educação.

Um dos resultados dos programas da Microsoft foi o sistema de inteligência artificial aplicado a videoaulas desenvolvido pelo Grupo Unip-Objetivo.

Com base nas tecnologias Cortana Intelligence Suite e Azure, da Microsoft, o grupo brasileiro desenvolveu um sistema em nuvem com legendas simultâneas em até seis idiomas, que permite ao estudante buscar trechos específicos de uma videoaula.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual é a situação da educação hoje?

É essencial modernizar a maneira como a educação é oferecida. Vivenciamos um sistema de educação que já existe há 200 anos.

É arcaico e velho. Foi criado para preparar os estudantes para trabalhar numa fábrica. Para seguir ordens e não serem muito criativos.

Os empregos de hoje são muito diferentes. Os estudantes não são preparados para assumir os empregos do futuro. Nem ajudados a se tornar empreendedores, para criar novos empregos.

Estamos fracassando com toda uma geração.

Qual é o principal problema que precisa ser resolvido?

Os estudantes não estão realmente estimulados. O que vemos num nível global – não estou falando especificamente do Brasil – é que os estudantes estão desinteressados.

Eles são especialistas em tecnologia. Crianças pequenas tentam tocar a TV, como se fosse interativa, ou jogam Minecraft sem que ninguém as ensine. Para elas, adotar tecnologia é natural.

Existem escolas tecnologia ou sem que a tecnologia esteja alinhada à pedagogia. Então os estudantes perdem interesse. O que estou fazendo aqui? Tenho acesso a tudo lá fora.

O desinteresse dos estudantes é um fator importante.

E os professores?

Essa é outra questão. Eles têm cada vez mais regulamentações a seguir e menos tempo para se preparar. Os pais podem ser exigentes. Eles têm várias limitações.

Acho que a tecnologia os ajuda a ganhar tempo. Existem recursos que oferecemos que os ajudam a preparar suas aulas, a organizar seu tempo em classe e a maximizar o tempo que passam com os estudantes, o que deveria ser o principal objetivo de qualquer educador.

Nós os ajudamos a se organizar e poupar tempo, para que possam passar mais tempo interagindo com as crianças.

Como as escolas podem se atualizar?

Num nível mais amplo, há toda essa noção de que os setores econômicos estão mudando e as escolas precisam estar muito mais sintonizadas com a demanda do mercado, com a necessidade de mão de obra de cada região.

Por exemplo, na Grécia, todo mundo quer se tornar um advogado ou um médico, porque foi isso que disseram que eram carreiras que pagam bem e que são respeitáveis.

A verdade é que precisamos de mais cientistas da computação, precisamos de mais engenheiros, de mais especialistas em turismo, que é um setor importante na Grécia.

As escolas formam os estudantes para os empregos errados.

Alinhar com o que o mercado precisa ou que o país precisa é essencial. Temos programas, recursos e currículos que ajudam escolas e líderes educacionais a montar seu planejamento.

Como reduzir a distância tecnológica entre crianças e professores?

Sem a visão certa, sem a estratégia certa, sem as métricas certas de sucesso, a tecnologia pode ser uma ferramenta ilusória. Acho importante, seja para uma escola isolada, um grupo de escolas ou região, ter um plano, ter uma visão.

Qual é o problema a ser resolvido? O plano deve ser definido não somente pelo líder, mas pelos educadores e até pelas crianças.

Muitas vezes somos surpreendidos pela maneira com que elas podem ser espertas, interessadas e responsáveis pela própria jornada de aprendizado.

É preciso envolver pessoas da comunidade, as partes interessadas, parceiros de mercado e de tecnologia.

Todos podem fazer parte de um workshop, se quiser, para identificar que problemas vamos resolver, para onde vamos e quais são as métricas para sabermos se estamos nos movendo na direção certa.

O objetivo é aumentar o índice de aprovação? O engajamento dos estudantes? É preparar os estudantes para serem absorvidos pelo mercado?

Não temos uma reposta única. Oferecemos várias estruturas, ferramentas, recursos e modelos que podem ser usados para que cada um desenhe a sua própria jornada.

Cada escola e cada região têm a sua própria estratégia e sua própria jornada. Ter um plano é essencial para reduzir essa distância.

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

Centro de São Paulo vai trabalhar em colaboração com outros 10 centros distribuídos pelo mundo / Divulgação

Capgemini cria centro de excelência para digital e nuvem

A Capgemini, consultoria francesa de tecnologia, abriu um centro de excelência para digital e nuvem em São Paulo. Com cerca de 120 profissionais, a equipe brasileira vai trabalhar em colaboração com outros 10 centros de inovação que a companhia mantém pelo mundo. O centro conta com uma infraestrutura para realizar provas[…]

Leia mais »
Crescimento da computação em nuvem contribuiu para a queda da pirataria de software no Brasil / blockdev/Creative Commons

Como proteger as suas informações na nuvem

Nos últimos anos, a computação em nuvem despontou como uma solução eficiente para o mercado da tecnologia na medida em que o modelo permite ao consumidor comprar apenas as ferramentas que de fato precisa e irá usar. Ou seja, faz o software caber no bolso de quem não tem poder[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami