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Economia criativa cresce acima da média mundial no Brasil

O evento MAX 2017 discute, em Belo Horizonte, os rumos da economia criativa / Renato Cruz/inova.jor
O evento MAX 2017 discute, em Belo Horizonte, os rumos da economia criativa / Renato Cruz/inova.jor

BELO HORIZONTE

O mercado de cultural brasileiro tem expectativa de crescimento acima da média mundial nos próximos anos.

Segundo Luciane Gorgulho, chefe do Departamento de Economia da Cultura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o setor movimentou US$ 47 bilhões no País em 2015.

“Somente o setor de audiovisual equivale a 0,54% do PIB (Produto Interno Bruto), o que é maior que a indústria farmacêutica”, apontou Luciane, durante a Minas Gerais Audiovisual Expo (MAX) 2017, que está sendo realizada esta semana em Belo Horizonte.

Assim como acontece no mercado mundial, games, vídeo via internet e publicidade online devem liderar o crescimento no Brasil.

Mas, diferentemente da situação lá fora, segmentos tradicionais como música, cinema e publicidade em TV ainda devem registrar expansão nos próximos anos.

Crescimento da economia criativa no Brasil, comparada com o mundo / Fonte: BNDES

Brasil que cresce

Luciane destacou que a economia criativa têm um desempenho acima de outros setores no Brasil: “De 2010 a 2016, as vendas de ingressos de cinema cresceram 63,%, enquanto as vendas de automóveis encolheram 38% e as de máquinas agrícolas diminuíram 23%”.

Em 2015, as exportações de serviços de audiovisual subiram 110%, alcançando R$ 154,8 milhões. No mesmo ano, as exportações de serviços como um todo caíram 9%, para R$ 18,9 bilhões.

A representante destacou que a criação do departamento no banco já foi uma vitória. “Colocar esse setor no mesmo patamar de setores de infraestrutura foi simbolicamente importante”, explicou.

Atualmente, o BNDES financia o setor com editais de cinema, fundos de investimento, cartão BNDES e a linha de crédito de longo prazo BNDES Procult, com linhas a partir de R$ 1 milhão.

Cultura e tecnologia

Várias iniciativas buscam aproximar os setores de economia criativa e tecnologia da informação.

Até porque a área da economia criativa que mais cresce é a de games, um mercado maior que o de cinema, em que os dois setores se confundem.

Em São Paulo, a SPCine, empresa municipal de cinema, planeja instalar no Centro Cultural São Paulo o Laboratório de Experimentação e Inovação Audiovisual (Leia), que vai reunir produção de animação e games e empreendedorismo.

Anteriormente, os planos eram de instalar o Leia na Chácara do Jockey.

No Rio Grande do Sul, a Pontifícia Universidade Católica (PUC) completou seu parque tecnológico Tecnopuc com um centro de produção audiovisual, chamado Tecna.

O estúdio do Tecna recebeu um investimento de R$ 6 milhões de linhas de apoio à ciência, pesquisa e inovação.

Em Minas Gerais, um prédio projetado por Oscar Niemeyer na década de 1950, no centro de Belo Horizonte, tornou-se sede do P7 Criativo, um espaço para abrigar startups de tecnologia e de economia criativa.

A iniciativa é uma parceria da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Sebrae MG, Apex Brasil e do governo estadual, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e da Fundação João Pinheiro (FJP).

“A economia criativa é a principal saída para a indústria tradicional se reinventar”, afirmou Marcos Mandacaru, superintendente de desenvolvimento industrial da Fiemg.

Financiamento de projetos

O Prosas é uma plataforma de projetos sociais, que quer unir empresas e empreendedores. Além de permitir que as companhias façam gestão de seus editais, o site também faz um monitoramento das oportunidades disponíveis.

“Temos mais de 200 editais em aberto e cadastramos pelo menos cinco editais por dia”, disse Thiago Alvim, cofundador do Prosas. “Mais de 40 empresas já tiveram editais lançados pela gente.”

O site tem mais de 23 mil pessoas cadastradas, sendo cerca de 8 mil empreendedores.

Solanda Steckelberg, sócia da Vivas Cultura e Esporte, destacou a oportunidade de captar recursos diretamente de pessoas físicas.

“Seis por cento do imposto de renda devido podem ir para a cultura”, explicou. “Num momento em que as pessoas querem saber para onde vai o dinheiro dos impostos, podemos aumentar esse tipo de captação.”

Iniciativas como o Tecna, da PUCRS, combinam economia criativa e tecnologia / Renato Cruz/inova.jor
Iniciativas como o Tecna, da PUCRS, combinam economia criativa e tecnologia / Renato Cruz/inova.jor
  • O jornalista viajou a convite da MAX 2017

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