inova.jor

inova.jor

Por que querem censurar a internet durante as eleições

Uma emenda de última hora à reforma política criou um mecanismo de censura na internet / Renato Cruz/inova.jor
Emenda de última hora à reforma política criou um mecanismo de censura na internet / Renato Cruz/inova.jor

Num momento em que muitos políticos são investigados e processados por corrupção, o Congresso decidiu criar um mecanismo para censurar publicações na internet durante as eleições, sem necessidade de decisão judicial.

O pretexto é o combate às notícias falsas e aos perfis falsos nas redes sociais, mas, na prática, o mecanismo vai impedir que as pessoas se expressem livremente e que notícias reais tenham repercussão.

O Marco Civil da Internet, lei que define direitos e deveres dos usuários da rede, prevê retirada de conteúdo sem decisão judicial somente em casos de pornografia de vingança.

Ou seja, quando alguém divulga imagens de relacionamentos íntimos sem o consentimento das partes.

Antes de o Marco Civil ser aprovado, cheguei a participar de uma audiência pública sobre o projeto no Senado e ponderei que até mesmo essa possibilidade era excessiva.

O texto deixa ao prestador de serviço de internet a responsabilidade de julgar se as imagens foram divulgadas com consentimento ou não.

Fora isso, a legislação brasileira permite somente a retirada de conteúdo sem decisão judicial no caso de pornografia infantil. Quanto a esse ponto, acho que não existe controvérsia.

Força das redes

É inegável a força das redes sociais nas campanhas eleitorais, aqui e no mundo. E as notícias falsas são uma questão para a qual ainda não existe resposta satisfatória.

Mas criar um mecanismo de censura, em que publicações possam ser derrubadas sem decisão judicial, é criar um problema ainda maior.

Uma emenda de última hora ao projeto de reforma política aprovado pela Câmara prevê a remoção em até 24 horas de publicação na internet após denúncia de “discurso de ódio, disseminação de informações falsas ou ofensa em desfavor de partido, coligação, candidato ou de habilitado”.

A publicação deve ficar fora do ar até que o serviço de internet consiga se certificar da identidade do usuário. A medida ainda precisa ser sancionada pelo presidente Michel Temer.

Criar um mecanismo de censura já é, em si, bastante grave. A liberdade de expressão é um direito básico do ser humano, protegido pela Constituição brasileira.

O quadro fica ainda pior quando pensamos em conceitos de “discurso de ódio” e “ofensa”, que, subjetivamente, podem se aplicar a qualquer informação negativa, mesmo que verdadeira.

Além disso, dar a serviços de internet, como Facebook e Twitter, a responsabilidade de comprovar a identidade do usuário é atribuir a eles uma capacidade que eles não têm.

Na prática, a medida impõe mordaça a pessoas reais na internet. Porque, se um perfil falso for censurado, nada mais fácil do que criar outro.

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

Dá para criar negócios inspiradores unindo comunicação e tecnologia / Jon S/Creative Commons

Commtech, a oportunidade que une comunicação e tecnologia

Não existe almoço grátis. Após a massificação da internet e, com ela, o conteúdo gratuito, o mercado de comunicação demorou muito tempo para assimilar a velha máxima. O resultado foram fechamento de publicações e demissões em massa. Profissões passam por profundas revisões, sendo jornalistas e publicitários os mais atingidos. Chegamos[…]

Leia mais »
Número de organizações interconectadas deve quase dobrar até 2017 / Divulgação

Interconexão de empresas combina mundos físico e digital

A era da computação começou em meados dos anos 1980 nas empresas, com bases proprietárias de dados e informações manipuladas em fitas ou disquetes. Dez anos depois, as empresas perceberam que precisavam conectar-se para alcançar o desenvolvimento – cresceram as redes de dados e os PCs passaram a ser adotados em[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami