inova.jor

inova.jor

Como obter melhores resultados na migração para a nuvem

Planejamento é essencial na migração de sistemas para a nuvem / inova.jor
Durante mesa redonda, executivos de TI apontaram o planejamento como essencial na migração para a nuvem / inova.jor

A migração para a nuvem é um caminho sem volta, mas nem sempre o processo é simples.

Embora tenham conhecimento de vantagens como melhor custo-benefício, disponibilidade e escalabilidade, empresas ainda têm dúvidas e receios em relação à transferência de seus sistemas.

Esses e outros temas foram debatidos por executivos de diferentes setores na quinta-feira (26/10), durante Mesa Redonda sobre Transformação em Nuvem.

Realizado em São Paulo pelo inova.jor, o evento contou com apoio da Unisys e da Microsoft.

Conforme salientou Roberto Prado, diretor de Cloud & Enterprise da Microsoft, o mercado de cloud tem demanda crescente.

“No entanto, as empresas que não nasceram na nuvem vivem o impasse de decidir entre atualizar hardware e migrar para cloud”, disse o executivo.

Ele ressaltou ainda que novos serviços em nuvem surgem em alta velocidade, ao mesmo tempo em que os preços caem, o que é um atrativo para a migração.

O planejamento adequado foi apontado como fator crucial para o sucesso de qualquer projeto de migração para a nuvem.

“Não basta jogar tudo na nuvem, é preciso de gestão do ambiente. Como cada um vai tratar o gerenciamento do que está usando será o grande diferencial”, opinou Francisco Ferreira, gerente de Infraestrutura de TI da CSN.

Da mesma opinião, Emerson Ginanti, diretor de Desenvolvimento de Sistemas Digitais da Cielo, acrescentou que, para operar na nuvem de maneira eficaz, é preciso ter governança bem estabelecida, já que na nuvem paga-se pelo que se consome.

Segundo ele, a Cielo evoluiu com o conceito de cloud. “Começamos com cloud privada em 2012, depois fomos para o modelo híbrido e hoje mesclamos tudo isso.”

Sistemas legados

Fabio Abatepaulo, diretor de Serviços de Consultoria da Unisys para a América Latina, destacou que empresas que possuem sistemas legados muito amarrados acabam migrando para a nuvem aos poucos.

“É uma jornada em que você experimenta recursos, levando gradualmente microsserviços para o novo ambiente.”

A Votorantim Cimentos é um exemplo nesse sentido. “Depois de tentativas em IaaS (infraestrutura como serviço) que não renderam business cases, vamos apostar na transformação das aplicações através de PaaS (plataforma como serviço)”, conta Daniel Rosa, coordenador de Arquitetura e Soluções da companhia.

Antes de migrar para nuvem, algumas empresas adotam o modelo de hospedagem em colocation, em mantêm seu próprio equipamento no data center de terceiros.

Essa foi a escolha da empresa de alimentos Marfrig, por exemplo. “Há dois anos estamos nos preparando para migrar para a nuvem”, disse Rodrigo Machado Oliveira, gerente geral de TI. “No entanto, temos outras prioridades agora, como a abertura de novas unidades”.

Principais entraves

As barreiras na migração para a nuvem vão além da preocupação com a segurança, de acordo com os executivos.

“O grande desafio de se trabalhar na nuvem é a qualidade da infraestrutura de telecomunicações do país. O que inclui cobertura, custo e instabilidade do serviço”, comentou Sérgio Bambace, CIO da Vigor.

A Embraer, que começou a trabalhar com nuvem privada há 15 anos e aos poucos tem avançado na adoção de cloud, também vê o problema como um dos obstáculos na evolução da empresa nessa jornada.

“O nível de confiabilidade na infraestrutura de telecomunicações brasileira ainda está muito aquém de atender as necessidades de negócios das empresas”, avaliou o diretor de Sistemas da Informação da companhia, Alexandre Baulé.

A Hidrovias do Brasil, que já nasceu com a filosofia de ir para a nuvem, teve de mudar seus planos devido à instabilidade e à falta de confiabilidade das telecomunicações no país.

“Éramos 100% cloud, mas tivemos de ceder por falta de infraestrutura em algumas regiões como a Norte, principalmente no Pará, onde possuímos terminais portuários”, declarou Jorge Mansur, diretor de Planejamento e TI da empresa.

Na visão de Renan Santos, diretor de TI da LTM, grupo que está em processo de migração de seus sistemas para a nuvem Azure, da Microsoft, o maior desafio está na gestão efetiva de custo. “Deve-se aliar a busca pela eficiência com a gestão financeira”, apontou.

Panorama

Segundo pesquisa global da Unisys realizada com 400 executivos de TI de nove países, incluindo o Brasil, a maioria encontrou dificuldades que impediam a mudança para a nuvem, não só questões de segurança e compliance, mas também resistência à mudança de práticas de TI em longo prazo.

“O estudo mostra que, pela primeira vez, no Brasil, o maior entrave para migrar aplicações para a nuvem é a questão da mudança cultural, a quebra de paradigma de ter seus dados armazenados fora de seu espaço físico”, comentou Abatepaulo, da Unisys.

Quase quatro em cada dez entrevistados planejam transferir a maior parte ou toda a infraestrutura para a nuvem nos próximos anos:

  • 9% disseram ter uma estratégia “nascida na nuvem”;
  • 30% planejam uma “migração em massa” de todos ou da maioria dos aplicativos;
  • 37% preferem a “migração estável”, com planos para mover alguns aplicativos;
  • 22% estão fazendo uma adesão cautelosa, movendo aplicativos apenas conforme as necessidades das empresas.

A pesquisa revela ainda que 80% esperam economias de custos com os projetos de migração para a nuvem.

No entanto, mais de 40% não realizam uma análise de retorno sobre o investimento (ROI, na sigla em inglês) inicial.

Na América Latina, 57% dos respondentes afirmaram que os projetos de migração para a nuvem não atendem às expectativas de benefícios de economia de custos.

Independentemente de quando pretendem migrar, é fato que organizações que planejam tal movimento com cautela e estratégia têm mais chance de sucesso operacional, financeiro e competitivo na transformação na nuvem.

Infraestrutura de telecomunicações é apontada como obstáculo para nuvem / inova.jor
Infraestrutura de telecomunicações ainda é apontada como obstáculo na migração para cloud / inova.jor

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

O Labelectron, da Fundação Certi, combina pesquisa e fabricação de produtos / Renato Cruz/inova.jor

Como a indústria brasileira pode competir com a China

FLORIANÓPOLIS A crise da indústria brasileira começou antes da crise. O faturamento real do setor foi, em maio deste ano, o pior desde fevereiro de 2009. A participação dos produtos manufaturados nas exportações brasileiras, que havia chegado a 61% em 2002, está atualmente em 36%. O Labelectron, fábrica-laboratório da Fundação Certi, tem entre os[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami