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Indústria 4.0: ‘Brasil subestima impacto da economia digital’

Indústria: Foi lançado na USP o livro 'Automação & Sociedade: Quarta Revolução Industrial, um olhar para o Brasil' / Renato Cruz/inova.jor
Foi lançado na USP o livro ‘Automação & Sociedade: Quarta Revolução Industrial, um olhar para o Brasil’ / Renato Cruz/inova.jor

Os impactos da economia digital foram um tema importante para os chefes de Estado que participaram neste ano do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

O economista Octavio de Barros, cofundador da Quantum4, acompanhou o evento. Segundo ele, representantes das 10 principais economias do mundo dedicaram mais da metade de seu tempo de apresentação para falar dos desafios trazidos pela digitalização.

“Emmanuel Macron, da França, gastou 70% do seu tempo falando de inovação”, disse Barros hoje (21/2) , durante evento no auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária, em São Paulo.

A exceção, de acordo com o economista, foi o presidente do Brasil, Michel Temer, que não tratou do tema em seu discurso.

Depois da apresentação, foi questionado por Klaus Schwab, fundador do fórum, sobre como o Brasil se preparava para o desafio.

Temer limitou-se a dizer o país tem um Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações bastante eficiente.

“Existe uma certa fragilidade do Brasil, pois estamos subestimando os impactos da economia digital e cognitiva”, afirmou Barros. “Enfrentamos muito mais riscos do que oportunidades.”

Indústria 4.0

Livro Automação & Sociedade / DivulgaçãoO economista assina o posfácio do livro Automação & Sociedade: Quarta Revolução Industrial, um olhar para o Brasil (Brasport), coordenado por Elcio Silva, Maria Scoton, Sergio Pereira e Eduardo Dias e lançado durante o evento.

Trata-se de um trabalho abrangente e pioneiro, que traz uma visão brasileira sobre a chamada Indústria 4.0.

Seus organizadores e vários dos 50 autores fazem parte do grupo Gestão em Automação e Tecnologia da Informação (Gaesi), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

O livro reúne visões da academia, indústria e governo. A edição recebeu apoio da Siemens. José Borges Frias Jr., diretor de estratégia, inteligência de mercado e excelência de mercado da empresa, é um dos autores.

“Indústria 4.0 não é somente um jargão de mercado”, disse Constantino Seixas Filho, líder para a América Latina de Indústria X.0 da Accenture. “É realmente uma revolução.”

E as mudanças não se restringem à indústria de manufatura. “Principalmente no setor de serviços, profissões passam por mudanças profundas e algumas serão até descontinuadas”, completou.

Apesar disso, Seixas afirmou ser otimista em relação ao trabalho: “O ser humano vai desempenhar cada vez mais atividades próprias de seres humanos”.

Desafios brasileiros

Países mais desenvolvidos têm passado por um processo de enfraquecimento da indústria. Esse movimento é compensado pelo fortalecimento de setores de maior valor agregado, como:

  • pesquisa e desenvolvimento,
  • design,
  • serviços ao consumidor e
  • marketing.

No Brasil, a queda da indústria não é tem como contraponto a expansão dessas outras áreas, e isso é preocupante.

“A situação da indústria tem desdobramentos em toda a economia”, disse João Emilio Padovani Gonçalves, gerente executivo de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “É a indústria quem desenvolve e fornece tecnologia para o agronegócio.”

Dessa forma, a digitalização da indústria é essencial para garantir a competitividade da economia brasileira.

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