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Como a inteligência artificial torna as cidades mais seguras

Inteligência artificial: O Centro de Operações Tigre, na Argentina, monitora quase mil câmeras, 24 horas por dia / Divulgação
O Centro de Operações Tigre, na Argentina, monitora quase mil câmeras, 24 horas por dia / Divulgação

Com a proliferação de câmeras em lugares públicos, surge a necessidade de tecnologias baseadas em inteligência artificial que gerem alarmes automatizados para a detecção de pessoas suspeitas e comportamentos incomuns.

Ao lado do reconhecimento facial, tecnologias como aprendizado de máquina e detecção de comportamento tornam as cidades mais seguras.

“As características comportamentais são únicas, como a as características físicas utilizadas na identificação biométrica digital”, afirma Wagner Coppede Jr., diretor de soluções e engenharia da NEC no Brasil. “É possível reconhecer alguém, pelo modo de andar, de correr e assinar, dentre outros.”

Sistemas inteligentes de detecção de comportamento também são capazes de:

  • detectar condutas fora de um padrão estabelecido;
  • identificar objetos abandonados; e
  • analisar comportamentos em multidões, como mudança de fluxo e aglomeração.

O centro de operações de uma cidade pode ter à sua disposição centenas de milhares de câmeras. O grande volume de vídeo gerado por elas acaba por inviabilizar uma análise feita exclusivamente por pessoas.

No Japão, sistemas automáticos de identificação de comportamento foram desenvolvidos para responder a desastres naturais e a terrorismo.

“Aqui temos problemas diferentes do cenário japonês”, destaca Coppede. “Um sistema inteligente de vigilância pode ser usado para detectar o início de manifestações nas ruas ou de arrastões, por exemplo.”

No Rio de Janeiro, a NEC desenvolveu um projeto de simulação de deslizamentos de terra, que avisa em tempo real o gestor público sobre o risco de escorregamento de terra de cada área monitorada, com previsão para até três dias, permitindo um planejamento mais preciso da defesa civil em situações de crise.

Um sistema de aprendizado de máquina foi alimentado com sete anos de dados históricos geoposicionados de escorregamentos, que foi associado à característica geológica de cada solo e aos eventos de chuva que antecederam os deslizamentos anteriores, além de receber dados em tempo real de diversos sensores, como pluviômetros, radares e satélites meteorológicos.

Centro de operações

O município de Tigre, na Argentina, é um exemplo de aplicação de tecnologias inteligentes de vigilância e monitoramento.

Localizada na Grande Buenos Aires, a cidade é um destino turístico, e tinha como desafio garantir a segurança e utilizar de forma otimizada seus recursos.

Em parceria com a NEC, foi criado o Centro de Operações Tigre (COT), que monitora toda a cidade 24 horas por dia. O centro analisa imagens de aproximadamente mil câmeras.

Foram adotadas tecnologias como análise de placas de veículos, reconhecimento facial e detecção de comportamento.

Em Tigre, todo cidadão é um agente público, pois por meio da plataforma de colaboração integrada de segurança urbana, os cidadãos tornaram-se participantes ativos na melhoria da segurança da cidade, além de possibilitar a solicitação de serviços públicos (ambulância, polícia e bombeiro) ou relatar eventos como acidentes ou situações que exigem resposta da cidade.

Essa plataforma é capaz de receber alertas de dispositivos antipânico dedicados e de outros canais, como de aplicativos instalados em smartphones, em terminais de ponto de venda (PDV), por SMS e redes sociais, dentre outros canais.

Com o COT, a cidade conseguiu reduzir em 80% as taxas de roubos de veículos.

O centro recebe mensalmente do sistema legal mais de 400 pedidos de imagens, o que garante evidências para resolver mais de 35% dos casos.

A tecnologia adotada na cidade de Tigre permitiu também criar mapas de crime, para distribuir o policiamento de forma mais eficiente pela cidade.

“A implantação da plataforma de colaboração integrada de segurança urbana da cidade é um grande sucesso, pois consolida e classifica os eventos da cidade, independente do canal de comunicação do cidadão, permitindo que os operadores tomem decisões rapidamente seguindo os Procedimentos Operacionais Padrão de suporte a gestão”, diz o diretor da NEC. “Além disso, o sistema de reconhecimento facial identifica pessoas em lista de interesse do governo, como pessoas perdidas em estações de ônibus e trem.”

A própria existência de um sistema como o de Tigre acaba inibindo a incidência de crimes, pois o criminoso sabe que pode ser identificado.

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