inova.jor

inova.jor

‘É preciso incentivar a contratação de técnicos e engenheiros’

Apesar da expansão da educação em todos os níveis verificada nos últimos anos, o Brasil vive uma crise de qualidade no sistema educacional. É o que afirma Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

A deficiência do país é ainda maior no ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem, na sigla em inglês). Recentemente, as artes foram adicionadas a essa equação, formando o acrônimo Stema.

“Falamos de educação técnica para uma nova indústria, que vai vir e que é uma indústria criativa”, explica Zuffo, em entrevista ao inova.jor TIC. “Infelizmente, o Brasil não tem uma boa fotografia em seus indicadores. Quando temos uma boa fotografia, daí somos classe mundial.”

Na visão do professor, a mudança desse quadro dependeria de dois fatores. O primeiro é uma retomada econômica mais vigorosa, para a criação de empregos de maior qualidade.

“Imagine quantos empregos secundários e terciários criamos em torno de um projetista de um circuito integrado ou de um desenvolvedor de software de ponta”, diz. “Ou seja, não temos hoje uma economia com relativa atratividade para que possamos engajar e estruturar toda essa pirâmide que envolve engenharia de projeto, engenharia tecnológica e engenharia operacional em todas as suas dimensões.”

O segundo fator é uma maior qualificação do corpo docente. “O que acabou acontecendo, quando expandimos vigorosamente o sistema, é que não tínhamos professores suficientes para suprir toda a demanda que a sociedade tem por profissionais qualificados de alto nível.”

Políticas públicas

Zuffo defende a criação de uma política de desoneração voltada à contratação de técnicos e engenheiros.

“A Alemanha e o Canadá fizeram uso desses mecanismos algum tempo atrás”, destaca o professor. “No Canadá, havia uma fuga de cérebros muito grandes para os Estados Unidos. Eles criaram incentivos fiscais fortíssimos para fixação de mestres, doutores e especialistas em ciência, tecnologia, engenharia e artes, em regiões específicas do Canadá, a partir da desoneração de taxas trabalhistas.”

Ele destacou a importância da atração de mulheres para o mercado de tecnologia. “Em alguns setores da engenharia, temos equilíbrio de gêneros. É o caso da engenharia química ou de alimentos. O que tem sido observado é um crescimento incremental. O número de mulheres em tecnologia no Brasil tem duplicado a cada década.”

O professor apontou a Indústria 4.0 e a internet das coisas como tendências tecnológicas importantes para o Brasil. “Estamos vendo que algumas agendas passam a ser agendas de Estado e não de governo”, complementa Zuffo.

Assista no vídeo acima à entrevista do professor Marcelo Zuffo, da Poli-USP, para o inova.jor TIC, com apoio da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

Setor brasileiro de telecomunicações depende menos das grandes operadoras / Oleg Zaytsev/Creative Commons

‘Cenário da competição nas telecomunicações começa a mudar’

O mercado brasileiro de telecomunicações está menos dependente dos grandes players. Operadoras competitivas têm conseguido criar alternativas tanto no acesso e na rede de transporte quanto em conexões internacionais. A participação de mercado das empresas competitivas chegou a 18,8% em agosto deste ano. No fim de 2015, era de 14%.[…]

Leia mais »
A internet das coisas pode fazer o trânsito fluir entre 5% e 25% melhor / Renato Cruz/inova.jor

O que esperar do Plano Nacional de IoT

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançaram recentemente o Plano Nacional de IoT (internet das coisas, na sigla em inglês). O documento pretende guiar políticas públicas e ações da área entre 2018 e 2022 em quatro vertentes[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami