inova.jor

inova.jor

BCG: ‘TICs precisam ser reconhecidas como prioridade de país’

O investimento em telecomunicações é essencial para garantir o crescimento econômico do Brasil. Marcos Aguiar, sócio sênior do BCG e líder do BCG na América do Sul, destaca que, para que isso aconteça, é necessário atualizar o modelo regulatório do setor.

“O desafio do Brasil é que nosso modelo regulatório é anacrônico”, afirma, em entrevista exclusiva ao inova.jor TIC. “Indicações de que esse modelo precisa ser alterado estão visíveis no nível de retorno sobre capital empregado da indústria como um todo.”

No ano passado, o retorno sobre capital do setor ficou em 4%.“E esse retorno é declinante”, destaca Aguiar. “Nos últimos quatro anos, só piorou. Quem colocaria investimento com retorno de 4% ao ano? Você coloca no DI (fundo atrelado à taxa básica de juros) e não corre risco algum, num contexto em que o risco é extremamente alto.”

O marco regulatório brasileiro ainda tem como base a telefonia fixa. “Ele foi concebido num contexto em que a própria indústria era fragmentada por modalidades diferentes de voz. Isso não existe mais. Na realidade, estamos indo para uma indústria organizada em camadas. Esse modelo precisa ser refeito conceitual e fundamentalmente”, diz Aguiar.

O BCG fez um estudo em que identificou 10 princípios básicos para um novo modelo regulatório. “Ele passa por fatores como uma reforma tributária, com redução do peso da tributação nessa indústria. Passa por redução de obrigações regulatórias, que muitas vezes são completamente irrelevantes ou anacrônicas. Por questões como motivar o compartilhamento de redes e permitir um processo de consolidação da indústria onde faz sentido haver consolidação. Envolve incentivo a investimento, canalizando fundos do governo onde fizer sentido”, enumera.

Crescimento econômico

O consultor destaca que um aumento de 10 pontos porcentuais de adoção de banda larga gera de 0,7 a 1,2 ponto porcentual de crescimento adicional no Produto Interno Bruto (PIB). “O próximo governo precisa reconhecer que as telecomunicações são uma prioridade de país”, afirma. Ele estima a necessidade de investimento de R$ 100 bilhões a R$ 200 bilhões em investimentos em banda larga.

“Isso não vai ocorrer naturalmente pela iniciativa privada”, destaca Aguiar. “Precisa ocorrer em conjunto. Parte do papel do papel do governo significa rever a regulamentação, torná-la mais moderna, garantir que ela reconheça a natureza tanto da necessidade do consumidor quanto de estrutura da indústria, totalmente diferente de 20 anos atrás.”

Para saber mais, assista ao vídeo com a entrevista completa com Marcos Aguiar, do BCG, no inova.jor TIC, que tem apoio da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).

Comentários

comentários

Publicações relacionadas

Dietmar Lilie, da Embraco, registrou 121 patentes em 36 anos de carreira / Divulgação

Embraco: ‘Números frios podem matar boas ideias’

Dietmar Lilie é pesquisador mestre da Embraco. Aos 56 anos, ocupa a posição técnica mais alta na empresa. Em 36 anos de carreira, obteve 121 patentes, de um total de 1.700 concedidas à Embraco. O pesquisador personifica a importância dada pela Embraco à inovação. “Sempre o que me moveu foi[…]

Leia mais »
Infraestrutura: Discussão sobre franquia de dados da banda larga tem se limitado ao acesso / mohsend72/Creative Commons

Só a banda larga cresce nas telecomunicações brasileiras

No ano passado, a banda larga fixa foi o único serviço de telecomunicações que cresceu no Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O País ganhou 1,1 milhão de novos acessos, o que representou um crescimento de 4,33% sobre 2015. Em novembro e dezembro, no entanto, a banda larga fixa[…]

Leia mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bitnami