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Commtech, a oportunidade que une comunicação e tecnologia

Commtech: É possível criar negócios inspiradores unindo comunicação e tecnologia / Jon S/Creative Commons
É possível criar negócios inspiradores unindo comunicação e tecnologia / Jon S/Creative Commons

Não existe almoço grátis.

Após a massificação da internet e, com ela, o conteúdo gratuito, o mercado de comunicação demorou muito tempo para assimilar a velha máxima.

O resultado foram fechamento de publicações e demissões em massa. Profissões passam por profundas revisões, sendo jornalistas e publicitários os mais atingidos.

Chegamos ao pior momento? Talvez sim. Talvez não.

É hora de nos apegarmos a outra velha máxima. Crises geram oportunidades. É o ensejo para os profissionais se reinventarem e o mercado se reerguer.

Como? O caminho é único: tecnologia.

Não propomos somente que as empresas de tecnologia auxiliem os comunicadores com ferramentas, quase sempre adaptadas de outro mercado, com outro estilo.

Vamos além. O mercado de comunicação deve atrair startups para atuarem e desenvolverem exclusivamente para ele, segundo suas idiossincrasias.

Dá para fazer dinheiro. Dá para fazer coisas legais. Dá para criar negócios inspiradores.

Englobamos tudo isso num só termo: commtech. Comunicação e tecnologia unidas. Mescladas. Misturadas.

Uma commtech pode gerar as palavras mágicas tão amplamente desejadas por todo gestor de agência ou veículo:  engajamento e monetização.

Num mundo em que se gasta quase 40% do tempo online em algum produto do Google ou Facebook, segundo pesquisa da Pivotal Research, engajar hoje se dá pelas redes sociais, pelo relacionamento, usando SEO e análise de dados. Enfim, n possibilidades.

E monetizar?

Fernanda Lara, da I'M Press / Divulgação
Fernanda Lara, da I’M Press / Divulgação

O fim do almoço gratuito é certo. Novos modelos de negócios já surgem em todo o mundo.

Dados existem para entender como funciona o comportamento do leitor. Ele já paga por outros conteúdos (Netflix e/ou Spotify), uma hora vai decidir pagar por conteúdo relevante para não ser presa fácil das fake news. Ou seja, o efeito “meu amigo tem e eu não” tem relevância.

Nesse sentido, vale citar a pesquisa do Media Insight Project que, por um ano e meio, mergulhou na cabeça de leitores que pagam por notícias para entendê-los.

Debruço sobre os resultados obtidos, comentando-os:

  • Alguns leitores têm paixão por um assunto, logo assinam (tradução, seguidores de notícias esportivas).
  • Outros porque buscam mudar o estilo de vida (o emprego exige que se saiba das notícias).
  • Cupons atraem cliente (é um chamariz nada explorado por no Brasil, mas bem que podia).
  • Dar apoio a jornalistas locais é outro motivo (qualquer pequeno jornal do interior sabe que isso é verdade).
  • Alguns, enfim, descobriram o jornal via redes sociais, gostaram e fizeram vínculo (coisa da nova geração, que já nem entra em sites, só social media).

Uma dica do estudo, que alguns jornais brasileiros estão seguindo, é criar uma grande massa de clientes – mesmo que para tal as publicações tenham que dar descontos de até 90%.

O que vai ser feito desse volume é o próximo passo no jogo. De qualquer forma, é um insight interessante da pesquisa e estratégia correta para tempos de ou muda ou morre.

Antes, as receitas vinham da publicidade, mas a era dos grandes anúncios já nem existe mais.

Micropagamentos

Uma das soluções são os micropagamentos. Alguns punhados de centavos para ler uma notícia que, na escala, vai ajudar a manter a empresa de comunicação rodando. Esqueça lucros aos montes. Já eram os barões da mídia, pelo menos no viés econômico.

O grande empecilho do micropagamento é a tecnologia: usuários desistem de pagar pelo tempo que toma. Daí é funil de vendas mesmo.

Tem muitas páginas? Tem que logar em vários locais? Este site é seguro para colocar a senha? Veículos de comunicação poderiam fazer parcerias com startups que fazem essa cobrança simples, sem engodo.

Anúncios e adblockers

E a tecnologia também fará o anúncio ir além. A Alphabet já anunciou que quer assumir o bloqueio de anúncio dentro do Google Chrome. Tudo para evitar que os usuários do navegador tenham más experiências com anúncios.

O que pode parecer o fim dos anúncios será, na verdade, a derrocada dos adblockers.

Com o bloqueio se tornando extensão nativa, publicações jornalísticas terão o poder de inserir anúncios que:

  1. tenham relação com o conteúdo lido e/ou
  2. utilizem os dados e as preferências de cada leitor.

O bloqueio é um filtro bem feito, por assim dizer.

Com essa arma, vai dos jornais coletarem as infos e as preferências corretamente, utilizando big e small data. É um nicho ainda ser aberto. Vai de qual empresa vai resolver se aventurar.

Outro exemplo bastante instigante que startups commtech podem explorar é o uso jornalístico da tecnologia Accelerated Mobile Pages (AMP). O projeto AMP acelera a navegação e proporciona que conteúdos sejam navegáveis dentro do e-mail.

Tem potencial de personalização. Tem potencial para tirar a hegemonia do navegador.

Vai ser possível que o assinante receba conteúdo mensal e, caso queria seguir lendo uma determinada informação, faça um micropagamento – ou uma compra rápida – e siga em outros conteúdos.

Revolução que há pouco mais de dois meses ganhou divulgação massiva.

Por essas e outras que commtechs – conceito e prática – têm terreno para crescer. O mercado de comunicação “respira por aparelhos” e o desânimo é aparente em todos os nichos que o compõe.

A aliança com a tecnologia não é uma aposta, é uma necessidade para ressurgir – melhor, mais personalizada, mais rentável.

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